Apesar de eu ter recebido e absorvido uma educação conservadora, sempre tive tendências a amizades “fora-da-lei”. Andava com as galinhas do colégio, os bagunceiros do fundo da sala, maconheiros e tal. Veja bem, eu não era galinha, bagunceira e muito menos maconheira. Gostava de gente que fugia às regras. Mas sentia uma enorme emoção em cabular as aulas qdo o ano letivo começava. Cometia umas infrações inocentes, que serviam pra me diferenciar da maioria certinha. Eu tenho orgulho disso rsrsrs. Lembro de umas coisas muito bobas que me trazem saudade.
No colegial éramos um trio, eu, Mabel (Marcelo) e Crisân. A Crisân já tinha repetido umas duas vezes de ano. O Mabel era cheio de idéias mirabolantes. Ele descobria os caminhos pra driblar os bedéis e fugir pelas escadas do primário, que davam no estacionamento…e na rua. Acho que não assistíamos os 15 primeiros dias de aula porque as listas de chamada ficavam prontas depois. Nos encontrávamos de manhã, na entrada da escola e… tchau. Íamos na padaria, na feira e por ali ao redor do bairro. Ás vezes, com pouco dinheiro, comprávamos pão e fazíamos batata chips de recheio.
Pulamos muro, colocamos fogo numa lata de lixo da escola “fazendo experiência”, jogamos chiclete no livro e no cabelo de um menino (na verdade o fogo e o chiclete foram obras da Cris), cabulamos muitas aulas, colamos em muitas provas. Tínhamos ataques de riso nas aulas e tirávamos zero em química. Mas nunca desrespeitamos nenhum professor, nem ninguém.
No segundo colegial, vagabundamos tanto, que a Crisân repetiu de ano novamente e saiu do colégio. Eu e o Mabel pegamos DP - eu 1 ano de química e ele de história. Foi a minha salvação a Crisân sair do colégio, pq perdi a minha maior comparsa, minha parceria fora-da-lei. Eu e o Mabel nos aplicamos pra passar de ano e assim aconteceu.
De vez enquando tenho notícias dos 2. A Crisân virou professora de universidade…tá vendo? O Mabel assumiu sua homossexualidade. Os dois continuam divertidos e engraçados.